{"id":2217,"date":"2026-10-21T07:55:47","date_gmt":"2026-10-21T07:55:47","guid":{"rendered":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/?p=2217"},"modified":"2026-10-21T07:55:47","modified_gmt":"2026-10-21T07:55:47","slug":"quem-tiver-nojo-de-sangue-nao-va-audios-mostram-presidente-da-bamor-convocando-integrantes-para-sessoes-de-tortura-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/?p=2217","title":{"rendered":"&#8216;Quem tiver nojo de sangue, n\u00e3o v\u00e1&#8217;: \u00e1udios mostram presidente da Bamor convocando integrantes para sess\u00f5es de tortura na Bahia"},"content":{"rendered":"<p>     Depoimentos revelam tortura dentro da sede da torcida da Bamor<br \/>\n&#8220;Vamos pegar at\u00e9 uns alicates para a gente arrancar as unhas dele&#8221;. A frase faz parte de \u00e1udios gravados por Matheus Pires Castro, presidente da Bamor, maior torcida organizada do Bahia, e enviados a diretores e integrantes do grupo. Ele e outras nove pessoas foram presas em 28 de setembro, suspeitas de participar dos crimes. Todos permanecem presos.<br \/>\nNas mensagens, obtidas pelo g1 e pelo TV Bahia, ele convoca pessoas para sess\u00f5es de tortura f\u00edsica e psicol\u00f3gica que, segundo as investiga\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Bahia (MP-BA), ocorreram na sede da entidade, em Salvador, em julho deste ano.<br \/>\nEm uma das grava\u00e7\u00f5es, Matheus Castro afirma que quem tivesse nojo de sangue n\u00e3o deveria comparecer ao local. Em outra, diz que uma das v\u00edtimas precisava apanhar para servir de exemplo. As mensagens tamb\u00e9m mostram o presidente minimizando o risco de consequ\u00eancias policiais e amea\u00e7ando provocar ferimentos graves.<br \/>\n\ud83d\udcf2 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia<br \/>\nEm 2 de outubro, o MP-BA denunciou os 10 por crimes como organiza\u00e7\u00e3o criminosa, tortura, roubo, extors\u00e3o e amea\u00e7a.<br \/>\nMatheus Pires Castro, presidente da Bamor, maior torcida organizada do Bahia<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Redes Sociais<br \/>\nNas grava\u00e7\u00f5es, o presidente da Bamor fala sobre as agress\u00f5es que pretendia promover e tenta afastar integrantes que demonstrassem receio de participar das sess\u00f5es de viol\u00eancia.<br \/>\nEm um dos trechos, ele minimiza a possibilidade de consequ\u00eancias para os envolvidos: &#8220;Porra nenhuma, meu irm\u00e3o, que nada. Vai dar porra nenhuma, irm\u00e3o&#8221;.<br \/>\nEm outra mensagem, anuncia o que pretendia fazer com uma das v\u00edtimas:<br \/>\n\u201cAmanh\u00e3 \u00e9 tirar a sa\u00fade dele. Vamos pegar at\u00e9 uns alicates para a gente arrancar as unhas dele\u201d.<br \/>\nMarcas nas costas de uma das v\u00edtimas<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Bahia<br \/>\nO presidente tamb\u00e9m orienta que integrantes contr\u00e1rios \u00e0s agress\u00f5es n\u00e3o compare\u00e7am \u00e0 reuni\u00e3o e afirma que a v\u00edtima deveria sair do local com ferimentos graves.<br \/>\n&#8220;Ent\u00e3o, quem for amigo, quem ficar com pena, quem falar que pode dar merda porque a fam\u00edlia pode correr atr\u00e1s, que pode dar pol\u00edcia, nem v\u00e1 para a reuni\u00e3o. Deixa que quem quiser resolve, entendeu? Porque amanh\u00e3 ele vai ter que sair com a m\u00e3o esmagada para, de l\u00e1, ele fazer cirurgia. Tem que se foder e apanhar mesmo para servir de exemplo&#8221;.<br \/>\nEm outro \u00e1udio, ele faz refer\u00eancia \u00e0 possibilidade de uma cena violenta:<br \/>\n&#8220;Amanh\u00e3 a gente vai pegar ele daquele jeito. Quem tiver nojo de sangue n\u00e3o v\u00e1, porque a gente vai pegar ele e vai ser uma cena triste para ficar de exemplo&#8221;.<br \/>\nEm uma das falas mais expl\u00edcitas, amea\u00e7a provocar um ferimento na cabe\u00e7a da v\u00edtima:<br \/>\n\u201cA gente vai abrir logo a cabe\u00e7a dele l\u00e1 no meio, essa desgra\u00e7a\u201d.<br \/>\nA defesa de Matheus Pires e Luciano Ven\u00e2ncio, vice-presidente da Bamor, declarou em nota &#8220;que seus clientes s\u00e3o inocentes&#8221; e que &#8220;todas as medidas judiciais j\u00e1 est\u00e3o sendo adotadas&#8221;.<br \/>\nSess\u00f5es de torturas duraram horas<br \/>\nSede da torcida organizada Bamor, localizada em Salvador<br \/>\nGoogle Maps<br \/>\nSegundo as investiga\u00e7\u00f5es do MP-BA, pelo menos duas pessoas foram submetidas a sess\u00f5es de agress\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas dentro da sede da torcida, em julho deste ano. Os epis\u00f3dios teriam ocorrido na sala da diretoria e durado horas.<br \/>\nUma das v\u00edtimas integrou a Bamor por 18 anos, foi l\u00edder de arquibancada e era respons\u00e1vel pelo sistema de cadastro de associados. Segundo as apura\u00e7\u00f5es, ele foi chamado \u00e0 sede sob a acusa\u00e7\u00e3o de ativar planos de s\u00f3cios sem identificar os respectivos repasses financeiros.<br \/>\nA outra v\u00edtima prestava servi\u00e7os de tecnologia para a torcida e tamb\u00e9m negou ter participado de qualquer fraude. Conforme as investiga\u00e7\u00f5es, ela passou por uma din\u00e2mica semelhante ap\u00f3s sugerir que o caso fosse levado \u00e0 pol\u00edcia.<br \/>\nDe acordo com o MP-BA, as v\u00edtimas teriam sido pressionadas a confessar supostas irregularidades. As agress\u00f5es incluiriam espancamentos, amea\u00e7as, sufocamento e simula\u00e7\u00e3o de afogamento. Os investigadores tamb\u00e9m apontam o uso de taco de beisebol, martelo e alicate.<br \/>\nNo dia das pris\u00f5es, policiais apreenderam martelos, um alicate e um taco de beisebol na sede da torcida. Os objetos foram reconhecidos pelas v\u00edtimas.<br \/>\nSuspeitos foram denunciados<br \/>\nSuspeitos foram denunciados pelo MP-BA<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Bahia<br \/>\nEm 2 de outubro, o Minist\u00e9rio P\u00fablico denunciou os 10 investigados por crimes como organiza\u00e7\u00e3o criminosa, tortura, roubo, extors\u00e3o e amea\u00e7a.<br \/>\nOs denunciados s\u00e3o:<br \/>\nMatheus Pires Castro, presidente da Bamor;<br \/>\nLuciano da Silva Ven\u00e2ncio, vice-presidente;<br \/>\nGabriel Pereira Silva, diretor-geral;<br \/>\nDaniel Sena Duarte, diretor de sede;<br \/>\nRicardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing;<br \/>\nDiego Allan Concei\u00e7\u00e3o Sacramento, diretor de patrim\u00f4nio;<br \/>\nIv\u00e3 Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria;<br \/>\nLuiz Wagner da Silva Santana, diretor de sede;<br \/>\nAlan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro;<br \/>\nFernando Santana Esquivel, policial militar apontado como integrante da torcida organizada.<br \/>\nSegundo a promotora de Justi\u00e7a Thelma Leal, do MP-BA, todos os integrantes presos teriam participado das agress\u00f5es, embora em diferentes graus.<br \/>\n&#8220;O presidente e o vice est\u00e3o presos. Todos participaram ativamente dos atos de tortura, de alguma forma, com maior ou menor propor\u00e7\u00e3o. Os relatos das v\u00edtimas d\u00e3o conta que todos que est\u00e3o presos participaram&#8221;, afirmou.<br \/>\nA promotora ressaltou que as pris\u00f5es atingiram integrantes da c\u00fapula da torcida e disse esperar que a entidade passe por uma mudan\u00e7a de lideran\u00e7a e adote medidas para evitar novos epis\u00f3dios de viol\u00eancia.<br \/>\nRelato de agress\u00f5es e transfer\u00eancia de dinheiro<br \/>\nEm entrevista ao Bahia Meio Dia, da TV Bahia, uma das v\u00edtimas contou que foi \u00e0 sede da Bamor para prestar esclarecimentos e n\u00e3o imaginava que seria torturada.<br \/>\n&#8220;Compareci, de boa-f\u00e9, a fim de prestar todos os esclarecimentos a ele, apesar de n\u00e3o ter cometido nenhum il\u00edcito e saber da poss\u00edvel fraude que houve, mas em momento algum eu suspeitei que seria torturado&#8221;, relatou.<br \/>\nSegundo a v\u00edtima, as agress\u00f5es duraram cerca de quatro horas e inclu\u00edram pauladas, golpes com taco de beisebol, tentativas de ferir os dedos e as orelhas com alicates e simula\u00e7\u00f5es de afogamento.<br \/>\nEla tamb\u00e9m afirmou que os suspeitos exigiram a senha de uma conta banc\u00e1ria durante as agress\u00f5es. Ap\u00f3s fornecer os dados, teve cerca de R$ 5,8 mil transferidos para uma conta da associa\u00e7\u00e3o, segundo o relato.<br \/>\nO MP-BA tamb\u00e9m apura a subtra\u00e7\u00e3o do celular de uma das v\u00edtimas e a realiza\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancias banc\u00e1rias durante os epis\u00f3dios. Para os investigadores, os fatos podem configurar crimes de roubo e extors\u00e3o, al\u00e9m das acusa\u00e7\u00f5es de tortura.<br \/>\nBamor diz que responsabilidades devem ser individualizadas<br \/>\nDiretoria da BAMOR \u00e9 presa, acusada de tortura<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo<br \/>\nEm nota, a torcida organizada afirmou respeitar o trabalho das autoridades e disse esperar que as investiga\u00e7\u00f5es sejam conduzidas com base em crit\u00e9rios objetivos, uniformes e impessoais.<br \/>\nO grupo tamb\u00e9m declarou que n\u00e3o colabora com condutas il\u00edcitas e defendeu que eventuais responsabilidades sejam apuradas de maneira individualizada.<br \/>\nO MP-BA esclareceu anteriormente que a investiga\u00e7\u00e3o sobre as sess\u00f5es de tortura \u00e9 direcionada aos integrantes suspeitos de participa\u00e7\u00e3o nos crimes, e n\u00e3o \u00e0 Bamor enquanto associa\u00e7\u00e3o. Segundo a promotora Thelma Leal, a sede foi fechada porque os epis\u00f3dios investigados teriam ocorrido no local.<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o foi coordenada pelo Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-BA, com participa\u00e7\u00e3o de equipes da Pol\u00edcia Civil, da Pol\u00edcia Militar e de \u00f3rg\u00e3os da Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia (SSP-BA).<br \/>\nVeja mais not\u00edcias do estado no g1 Bahia.<br \/>\nAssista aos v\u00eddeos do g1 e TV Bahia \ud83d\udcbb  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depoimentos revelam tortura dentro da sede da torcida da Bamor &#8220;Vamos pegar at\u00e9 uns alicates para a gente arrancar as unhas dele&#8221;. A frase faz parte de \u00e1udios gravados por Matheus Pires Castro, presidente da Bamor, maior torcida organizada do Bahia, e enviados a diretores e integrantes do grupo. 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