{"id":2609,"date":"2026-10-23T22:38:42","date_gmt":"2026-10-23T22:38:42","guid":{"rendered":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/?p=2609"},"modified":"2026-10-23T22:38:42","modified_gmt":"2026-10-23T22:38:42","slug":"hidreletricas-correm-risco-apos-molusco-que-chegou-ao-brasil-nos-anos-1990-se-multiplicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/?p=2609","title":{"rendered":"Mexilh\u00e3o-dourado amea\u00e7a hidrel\u00e9tricas e se espalha pelos rios do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>As larvas de um molusco origin\u00e1rio da \u00c1sia vieram para o Brasil em navios cargueiros e agora se multiplicam de forma descontrolada pelos rios nacionais, representando uma amea\u00e7a severa para a infraestrutura energ\u00e9tica e a biodiversidade aqu\u00e1tica. O <strong>mexilh\u00e3o-dourado<\/strong> (<em>Limnoperna fortunei<\/em>) j\u00e1 se estabeleceu em regi\u00f5es que v\u00e3o da Amaz\u00f4nia at\u00e9 o Nordeste, construindo col\u00f4nias t\u00e3o espessas que conseguem bloquear tubula\u00e7\u00f5es e prejudicar sistemas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua.<\/p>\n<p>A dispers\u00e3o geogr\u00e1fica ocorreu em um ritmo superior \u00e0s previs\u00f5es cient\u00edficas. O invasor atingiu a Amaz\u00f4nia em 2023, intensificando o processo de coloniza\u00e7\u00e3o, com novos registros confirmados em trechos fluviais amaz\u00f4nicos e bacias nordestinas, demonstrando que a expans\u00e3o continua em ritmo acelerado.<\/p>\n<p>Origem na \u00e1gua de lastro e a chegada \u00e0 Am\u00e9rica do Sul<\/p>\n<p>Navios de grande porte utilizam \u00e1gua de lastro para preservar a estabilidade durante percursos transoce\u00e2nicos, transportando microrganismos do porto de origem. A Argentina funcionou como porta de entrada sul-americana em 1991, ap\u00f3s o descarte desse l\u00edquido em um habitat in\u00e9dito e desprovido de predadores capazes de conter a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante os anos 1990, o molusco j\u00e1 integrava ecossistemas fluviais brasileiros, impulsionado pelo tr\u00e1fego de embarca\u00e7\u00f5es e conex\u00f5es entre bacias. O ciclo biol\u00f3gico do animal facilita esse deslocamento, uma vez que as larvas microsc\u00f3picas s\u00e3o carregadas pelas correntes d&#8217;\u00e1gua. Em fases posteriores do desenvolvimento, o organismo adere de maneira definitiva a rochas, superf\u00edcies met\u00e1licas e cascos de embarca\u00e7\u00f5es, gerando col\u00f4nias persistentes.<\/p>\n<p>Reprodu\u00e7\u00e3o sem controle biol\u00f3gico e altas densidades<\/p>\n<p>O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis atribui a r\u00e1pida prolifera\u00e7\u00e3o a dois aspectos principais: o elevado potencial reprodutivo e a falta de inimigos naturais no pa\u00eds. Sem barreiras ecol\u00f3gicas, os grupos populacionais aumentam de forma exponencial.<\/p>\n<p>Um levantamento executado em outubro de 2024 e divulgado em dezembro de 2025 no peri\u00f3dico <em>Acta Limnologica Brasiliensia<\/em> registrou 15.849 indiv\u00edduos por metro quadrado em um setor do rio Tocantins, no Par\u00e1. A variedade de tamanhos comprovava que o processo reprodutivo j\u00e1 estava consolidado na \u00e1rea amaz\u00f4nica, originando sucessivas gera\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>Avan\u00e7o territorial na Amaz\u00f4nia e em bacias nordestinas<\/p>\n<p>Mapeamentos divulgados em 2026 uniram dados de expedi\u00e7\u00f5es, relatos locais e registros anteriores para detalhar a dissemina\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a do molusco foi atestada nos rios Tocantins e Par\u00e1, al\u00e9m da ilha de Maraj\u00f3. No Nordeste, a bacia do rio Paje\u00fa, em Pernambuco, tamb\u00e9m abriga o organismo, especificamente no reservat\u00f3rio Barra do Ju\u00e1.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o do invasor no rio S\u00e3o Francisco, em Minas Gerais, a aproximadamente mil quil\u00f4metros do registro anterior mais pr\u00f3ximo, evidenciou uma capacidade de espalhamento maior do que se imaginava. Especialistas da Unimontes avaliam a possibilidade de embarca\u00e7\u00f5es de menor porte terem conduzido o animal entre locais isolados, superando obst\u00e1culos como barragens, embora essa tese ainda exija comprova\u00e7\u00e3o experimental.<\/p>\n<p>Impactos financeiros e limita\u00e7\u00f5es no setor el\u00e9trico<\/p>\n<p>Os procedimentos de higieniza\u00e7\u00e3o de estruturas, filtragem e tratamento de dutos demandam equipes dedicadas, desviando verbas que poderiam ser aplicadas na amplia\u00e7\u00e3o ou atualiza\u00e7\u00e3o da rede. Segundo o Ibama, os entupimentos podem gerar paralisa\u00e7\u00f5es para limpeza e elevar os gastos operacionais.<\/p>\n<p>A erradica\u00e7\u00e3o total da esp\u00e9cie em ambientes naturais j\u00e1 colonizados permanece impratic\u00e1vel com os recursos e tecnologias atuais. As a\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis restringem-se ao monitoramento constante, \u00e0 conten\u00e7\u00e3o de novos focos e \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o localizada de danos em maquin\u00e1rios essenciais de usinas e sistemas de capta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Perspectivas de controle e o papel das embarca\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Especialistas e administradores p\u00fablicos apontam que a elimina\u00e7\u00e3o completa do mexilh\u00e3o-dourado em rios e represas atingidos \u00e9 invi\u00e1vel. O manejo eficiente restringe-se a constru\u00e7\u00f5es humanas, a exemplo de dutos de hidrel\u00e9tricas e redes de abastecimento, onde interven\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e qu\u00edmicas conseguem conter o organismo, embora a custos elevados e recorrentes.<\/p>\n<p>A respeito do transporte por barcos menores, a hip\u00f3tese \u00e9 tratada como prov\u00e1vel pela comunidade cient\u00edfica, mas carece de valida\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio. O caso do rio S\u00e3o Francisco ilustra essa d\u00favida, sugerindo que embarca\u00e7\u00f5es possam ter trans transpositionado barreiras como a hidrel\u00e9trica de Sobradinho, mantendo-se, por ora, como uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel e n\u00e3o como um fato definitivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esp\u00e9cie asi\u00e1tica chegou ao pa\u00eds na d\u00e9cada de 1990 e j\u00e1 forma col\u00f4nias densas na Amaz\u00f4nia e no Nordeste.<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":2612,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2609","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2609"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2613,"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2609\/revisions\/2613"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistafeiraeventos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}