O cantor Netinho faleceu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, deixando um legado inegável na história do axé music. Antes de sua partida, o artista superou graves complicações médicas que o mantiveram afastado dos grandes eventos por um longo período.
Retorno triunfal aos trios elétricos
A retomada oficial aos trios aconteceu durante a Micareta de Feira de Santana, no interior baiano, em 2018. O evento ocorreu entre os dias 19 e 22 de abril e foi marcado por forte emoção do público presente.
Antes disso, o cantor já havia dado indícios de que voltaria aos palcos ao se apresentar em um camarote no Carnaval de Salvador em 2017. Na folia de 2018, embora ausente na capital, ele puxou trios no município pernambucano de Salgueiro.
A relação histórica com Feira de Santana
A participação na festa feirense não representava novidade para o artista, que possuía uma longa trajetória de apresentações na cidade. O pesquisador musical Edilson Veloso destacou a importância daquele momento.
“Ele se apresentou em 2018, mas a voz estava um tanto comprometida, mas também não comprometeu a apresentação. Mesmo com a voz, foi marcante e emocionante esse retorno dele às apresentações”, recordou o professor de educação física, radialista, pesquisador musical e ativista cultural.
O pesquisador também pontuou a parceria antiga do cantor com a cidade por meio de um famoso bloco carnavalesco.
“Ele se apresentava muitas vezes em Feira de Santana, era freguês do Bafo de Baco. Foi um bloco criado por uma turma de estudantes, que começou como uma reunião de amigos e cresceu. Ele sempre se apresentava no bloco”, contou.
Claudio Moreira, ex-diretor da agremiação que o artista comandou entre 1994 e 1998, reforçou o impacto do cantor nas ruas.
“Ele arrastava multidões. Sempre foi um dos grandes puxadores de bloco do Brasil. Havia essa identificação. Tivemos uma história muito legal”, relembrou.
Legado no axé e luta contra problemas de saúde
Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, onde nasceu em 12 de julho de 1966, o músico mudou-se para Salvador ainda na infância, aos 10 anos. Na capital, encontrou o caminho para consolidar sua carreira artística.
O sucesso veio em âmbito nacional com hits marcantes como “Beijo na Boca”, “Fim de Semana” e a emblemática “Milla”, lançada em 1996. A popularidade o levou a cruzar fronteiras, realizando shows internacionais em países como Itália e Chile.
Em 2013, a trajetória sofreu uma reviravolta quando o cantor sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs). As sequelas afetaram diretamente sua voz e exigiram um longo afastamento para tratamento e recuperação.
Anos mais tarde, em 22 de março de 2025, o artista tornou público que havia sido diagnosticado com câncer do sistema linfático, após dar entrada em um hospital em Salvador sentindo fortes dores nas pernas. Durante todo o processo, ele manteve os fãs informados através da internet.
Despedida reservada
De acordo com a assessoria de imprensa, o velório e a cerimônia de cremação acontecerão de maneira restrita, atendendo a um desejo expresso do próprio cantor, sendo direcionados exclusivamente a familiares e amigos mais íntimos.









