O cantor Netinho, um dos grandes nomes da história da axé music, morreu na terça-feira (13) aos 60 anos, vítima de um câncer no sistema linfático. O velório e a cremação do corpo do artista foram realizados na manhã desta quarta-feira (14), em Salvador, de forma reservada apenas para familiares e amigos próximos, atendendo a um desejo do próprio músico. A família optou por não divulgar o local nem o horário da cerimônia de despedida.
Luta contra o câncer e últimos dias Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido nacionalmente como Netinho da Bahia, enfrentava a doença desde março de 2025. O diagnóstico ocorreu após ele ser internado no Hospital Aliança Star, localizado na capital baiana, apresentando fortes dores nas pernas.
Durante todo o processo de tratamento, o cantor costumava compartilhar sua rotina com os fãs nas redes sociais, embora estivesse sem publicar conteúdos nas últimas semanas de vida. De acordo com a assessoria de imprensa, a enfermidade apresentou uma evolução negativa recentemente, resultando em um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos. Ele deixa uma filha, a médica Bruna Trindade, de 28 anos, que prestou uma emocionante homenagem ao pai nas redes sociais antes de restringir o acesso ao perfil.
Legado musical e direitos autorais Responsável por embalar carnavais e festas em todo o país, o artista eternizou sucessos absolutos como “Milla”, “Beijo na Boca” e “Estrela Primeira”. Com a partida do cantor, os herdeiros passarão a receber os direitos autorais das obras musicais por um período de sete décadas.
Trajetória na política e apoio a Bolsonaro Além da carreira artística consolidada, o cantor tentou ingressar na vida pública em 2022, quando foi candidato a deputado federal pelo Partido Liberal (PL). Na ocasião, declarou bens no valor aproximado de R$ 75 mil, mas acabou não conseguindo se eleger.
Fiel apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o músico destacava-se publicamente por suas pautas de posicionamento contrário ao comunismo. Em janeiro de 2023, o artista utilizou as plataformas digitais para manifestar apoio aos atos antidemocráticos ocorridos em Brasília (DF), incentivando apoiadores a se deslocarem para o Distrito Federal.
Na época, ele publicou a seguinte mensagem nas redes sociais: “Será que os CACs têm armas apenas para se dizerem machos alpha ou também para lutarem pelo Brasil, caso necessário? Temos entre 800 e 900 mil CACs aqui no Brasil, se levantem e ajudem a nós, o povo patriota”
A única tentativa eleitoral marcou a passagem do cantor pela política partidária, campo em que manteve forte engajamento ideológico até os últimos anos de vida, enquanto conciliava com sua identidade artística na Bahia.









