O pleito deste ano colocou à prova a força de dinastias tradicionais e de grupos de ascensão recente em todo o território nacional. Com mais de sessenta candidatos ligados a laços de parentesco na disputa, o cenário revelou um saldo dividido entre vitórias expressivas e derrotas marcantes em diferentes cargos eletivos.
Dinastias tradicionais enfrentam altos e baixos
Grandes sobrenomes da política brasileira testaram sua popularidade em vários estados, com resultados bastante distintos. No Maranhão, a família Sarney viu sua trajetória ininterrupta chegar ao fim após a derrota de Roseana Sarney na disputa pelo Senado, encerrando uma presença política mantida desde 1954. Por outro lado, os Barbalho obtiveram sucesso no Pará com a eleição de Helder Barbalho para o Senado e Jader Filho para a Câmara, embora Elcione Barbalho não tenha vencido para deputada estadual.
Em Alagoas, os Calheiros tiveram desempenho misto: Renan Filho e Renan Calheiros foram derrotados no governo e no Senado, respectivamente, mas Remi Calheiros garantiu vaga na assembleia legislativa estadual, enquanto Renildo Calheiros ficou sem a cadeira de deputado federal.
O avanço dos clãs emergentes e dos herdeiros
Novas forças políticas também mediram sua influência nas urnas. O grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro teve quatro de seus seis representantes eleitos, incluindo Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro no Senado, além de Jair Renan e Renato Bolsonaro na Câmara dos Deputados, enquanto Rogéria Bolsonaro não se elegeu. No clã dos Gomes, no Ceará, Ciro Gomes perdeu a corrida ao governo, mas Cid Gomes conquistou uma vaga no Senado — levando o irmão Lucio Gomes como suplente —, e Lia Gomes foi eleita deputada estadual.
Entre os herdeiros de Miguel Arraes, em Pernambuco, Marília Arraes garantiu espaço no Senado e Maria Arraes com Pedro Campos foram eleitos para a Câmara, apesar da derrota de João Campos na disputa pelo governo estadual. Na Paraíba, o presidente da Câmara, Hugo Motta, venceu para deputado federal, mas seu pai, Nabor Wanderley, não obteve sucesso na corrida senatorial. Já Arthur Lira triunfou na disputa pelo Senado em Alagoas e viu o filho Alvinho Lira se tornar o deputado federal mais jovem eleito, com 20 anos. O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha foi derrotado em Minas Gerais, mas sua filha, Dani Cunha, garantiu vaga na mesma casa legislativa.
A força política dos casais nas urnas
A influência familiar também se manifestou na parceria entre cônjuges. Três governadores eleitos — JHC, Dr. Furlan e Sergio Moro — conseguiram emplacar suas esposas em cargos legislativos: Marina JHC e Rayssa Furlan conquistaram vagas no Senado, e Rosângela Moro foi eleita deputada federal. O ex-governador Ronaldo Caiado elegeu a esposa Gracinha Caiado para o Senado, embora não tenha vencido a disputa presidencial.
Outras parcerias registraram resultados variados. João Roma não se elegeu ao Senado, mas viu a esposa Roberta Roma garantir uma cadeira na Câmara. Eduardo Braga renovou seu mandato no Senado e elegeu a esposa Sandra Braga como suplente, enquanto Esperidião Amin e Angela Amin não obtiveram êxito em suas candidaturas. Rogério Carvalho manteve sua vaga no Senado, mas a esposa Candisse Carvalho ficou fora da assembleia estadual. Entre os deputados, Glauber Braga e Sâmia Bomfim conquistaram vagas na Câmara, assim como Júlia Zanatta e Guilherme Colombo, que garantiram mandatos na esfera federal e estadual, respectivamente.









