Um garoto baiano de apenas 10 anos alcançou a terceira colocação no processo seletivo para o curso de engenharia mecânica na Universidade de Fortaleza (Unifor), mas acabou impedido de efetivar a matrícula na instituição de ensino superior.
Entrave legal impede o ingresso na faculdade
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o acesso ao ensino superior no Brasil exige obrigatoriamente a conclusão prévia do ensino médio. Conhecido carinhosamente como Marcelinho, Marcelo Gomes Viana Lopes realizou o exame apenas para testar seus conhecimentos e disputar vagas com candidatos mais velhos.
A mãe do estudante, a advogada Tatiana Gomes, apoiou a inscrição no certame, mas confessou que não esperava uma aprovação devido à pouca idade do filho. Eu não achei que ele fosse passar, porque sabia que iria concorrer com pessoas bem mais velhas. Quando vi o resultado, senti um orgulho inenarrável, relatou ela.
Alternativas legais e caminhos para a certificação
Embora a legislação nacional determine a obrigatoriedade do ensino médio para novos universitários, estudantes que frequentam a última série básica e obtêm aprovação em exames vestibulares costumam recorrer à Justiça por meio de ações judiciais para garantir a vaga antecipadamente.
Existem também métodos alternativos para a obtenção do diploma escolar no país, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que voltou a emitir o certificado para maiores de 18 anos mediante pontuação específica, e o Encceja, voltado para a certificação de competências de jovens e adultos.
Rotina de estudos e conquistas acadêmicas
Atualmente, o jovem prodígio cursa o sétimo ano do ensino fundamental em uma instituição particular de Fortaleza, após a família se mudar para a capital cearense em virtude de uma bolsa de estudos integral conquistada por ele.
Além do desempenho escolar regular, o menino acumula medalhas em competições científicas, integra programas de caça de asteroides da Nasa e participa de oficinas de criação de foguetes ligadas à Universidade Federal do Ceará.
As olimpíadas me ajudaram a fazer prova sob pressão, porque tem o cronômetro, são muitas questões. Isso me ajudou no vestibular, pontuou o estudante.
Mesmo com a rotina intensa de dedicação aos estudos e competições de alto nível, a família garante que o desenvolvimento infantil é preservado com atividades de lazer comuns à idade, como natação, jogos de RPG com amigos e cuidados com a cachorrinha da família.
Eu ainda tenho uma infância, sou uma criança normal, mesmo gostando de estudar e passando no vestibular. Isso não anula minha infância, concluiu o garoto.









