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Professora de 84 anos relembra trajetória de amor à educação na Bahia

Aos 84 anos, professora relembra trajetória de amor à educação em Feira de Santana

As homenagens do Dia do Professor celebradas em outubro destacam trajetórias marcantes de profissionais que dedicaram a vida à formação de cidadãos. Entre essas histórias está a da educadora Enedite Braz, que aos 84 anos acumula décadas de vivência e dedicação integral à sala de aula no interior baiano.

As origens da vocação na fazenda

Nascida em Baixa Grande, a professora mudou-se para Feira de Santana na adolescência, mas o contato com o universo escolar começou muito antes, influenciado pela própria família. Aos quatro anos, incentivada pela mãe com a leitura da Cartilha do Povol, ela deu os primeiros passos no aprendizado. O gosto pela docência era tão forte que, aos seis anos, ela já improvisava atividades para as bonecas:

“Eu fiz uma escola para minhas bonecas, aos 6 anos, mais ou menos. E minhas bonecas tinham um caderno igual ao meu da escola. Então, o meu dever, eu fazia duas vezes, porque eu fazia, copiava o meu dever no meu caderno e copiava o mesmo dever no caderno da boneca.”

A mudança definitiva para Feira de Santana ocorreu por incentivo de uma docente que enxergou potencial na aluna e convenceu os pais de que a jovem precisava prosseguir com os estudos para não ficar apenas com as lides domésticas. Na nova cidade, Enedite passou por instituições de destaque, como o Colégio Santanópolis, o Instituto de Educação Gastão Guimarães e a Escola Normal.

Do fundo de quintal ao reconhecimento

O sonho de infância de seguir a carreira docente concretizou-se inicialmente com a criação da escola “Meu Doce Lar”, instalada no quintal da residência familiar. Apesar das críticas iniciais pelo formato modesto, o espaço rapidamente ganhou notoriedade no bairro Kalilândia pela qualidade do ensino oferecido.

“Quando eu comecei com a escola Meu Doce Lar, algumas, algumas pessoas diziam assim: ‘Ah, escola de fundo de quintal’. Mas a escola de fundo de quintal começou com sessenta e quatro alunos, porque no bairro da Kalilândia, todos já conheciam o meu trabalho como professora de banca. Quando acontecia de ter alguma criança que já tinha passado por várias escolas e não dava certo, costumavam dizer: ‘Leva para a menina da Kalilândia que ela dá jeito.’”

Fundação da Escola João Paulo I

Anos mais tarde, em 1972, a educadora fundou a Escola João Paulo I. Olhando para trás, ela expressa profunda gratidão pelo caminho percorrido e pelos profissionais que construíram essa história ao seu lado:

“Sinto-me honrada. Ontem, à noite, na festa dos professores, eu dizia isso para eles: ‘Eu apenas fundei a escola. Mas, sei eu não contasse com cada um de vocês, com o amor que vocês dedicam à educação, essa escola não estaria hoje fazendo 54 anos.’”

Atualmente, a gestão da instituição passou para as mãos das filhas Judinara e Cássia. O que antes gerava receio de que estivessem abdicando de sonhos próprios transformou-se em orgulho ao perceber que o amor pela educação também corria nas veias delas.

Amor pela profissão e acolhimento

Adotada afetivamente por Feira de Santana, a professora faz questão de exaltar a terra que abraçou sua profissão, embora ressalte a necessidade de maior valorização para a categoria em todo o território nacional.

“Qual é a profissão que não passou pela mão de um professor? Eu digo que é uma pena que um professor não seja tão valorizado como deveria ser, porque todas as outras profissões existem porque existiu um professor na sua vida.”

Para quem está iniciando na carreira docente nos dias atuais, a veterana deixa um conselho simples, mas transformador, baseado na empatia e no afeto diário dentro das salas de aula e pátios escolares: “derrame amor no trabalho que faz”.

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