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Trabalho infantil cai 9,2% e atinge menor nível histórico

Trabalho infantil cai 9,2% no Brasil em 2025 e atinge menor nível da série histórica

O número de crianças e jovens de 5 a 17 anos submetidos à exploração laboral no Brasil recuou para 1,499 milhão em 2025. O recuo de 9,2% na comparação com o ciclo anterior colocou o indicador no patamar mais baixo de toda a série histórica apurada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo IBGE. O contingente atual representa 4,0% de toda a população nessa faixa etária no território nacional.

Do total identificado nessa condição, 1,141 milhão atuava diretamente em atividades econômicas remuneradas, enquanto 358 mil estavam envolvidos exclusivamente na produção voltada ao próprio consumo familiar. Com o desempenho recente, o índice consolida um recuo acumulado de 0,9 ponto percentual desde 2022. O levantamento também apontou que 525 mil menores desempenhavam ocupações enquadradas na lista das piores formas de trabalho infantil, o que também configura a menor taxa registrada pelo órgão de estatística.

Impacto decisivo do Programa Bolsa Família

A retração observada entre 2024 e 2025 teve como principal motor as famílias participantes de programas de transferência de renda. Das 151 mil pessoas retiradas da exploração infantil no período em todo o país, 144 mil pertenciam a lares atendidos pelo programa governamental.

A taxa de incidência nos lares atendidos caiu 20,1% em apenas doze meses, situando-se em 4,4% (573 mil menores) em 2025. Essa proximidade com a média geral (4,0%) demonstra um avanço expressivo: em 2016, a diferença entre os dois grupos era de 2,1 pontos percentuais (7,3% contra 5,2%), tendo sido encurtada agora para apenas 0,4 ponto percentual, a despeito de a renda per capita mensal desses lares (R$ 660) equivaler a cerca de um terço da registrada em domicílios não beneficiados (R$ 1.990).

Diferenças etárias, de gênero e impacto na escola

O estudo reforça que a inserção precoce no trabalho cresce à medida que a idade avança. O grupo de 16 e 17 anos apresentou a maior incidência, alcançando 14,5%. Nessa etapa, o impacto sobre a educação formal é evidente: apenas 79,6% dos adolescentes ocupados frequentavam salas de aula, frente a 89,6% de assiduidade escolar entre a totalidade dos jovens com a mesma idade.

O recorte de gênero mostrou que a diminuição atingiu ambos os sexos, embora o ritmo tenha sido mais expressivo entre os meninos. O contingente de meninos em situação irregular caiu 10,0% (de 1,089 milhão para 980 mil). Entre as meninas, a redução foi de 7,5%, passando de 561 mil para 519 mil jovens.

Panorama regional do trabalho de menores

A distribuição geográfica revela contrastes relevantes quanto ao volume absoluto e à proporção relativa da população afetada:

  • Região Sudeste: Concentra o maior número em valores absolutos, totalizando 481 mil crianças e adolescentes, mas detém a menor taxa proporcional do país (3,3%).
  • Região Nordeste: Segundo maior contingente absoluto, reunindo 408 mil menores ocupados.
  • Região Norte: Apresentou o índice proporcional mais elevado, com 6,3% da população de 5 a 17 anos nessa situação.

Sobrecarga de tarefas domésticas e cuidados

Além da atividade econômica formal ou informal, 42,1% da população infantojuvenil brasileira (15,9 milhões de indivíduos) assumia afazeres domésticos ou cuidados com familiares de forma não remunerada em 2025. O fardo recai de modo desproporcional sobre o público feminino: 47,9% das meninas realizavam essas atividades, ante 36,6% dos meninos. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, a participação nesses serviços alcançou 64,6%.

A jornada semanal dedicada a essas obrigações não passava de 14 horas para 86,5% do grupo envolvido, enquanto 8,4% cumpriam entre 15 e 24 horas por semana. O levantamento concluiu ainda que 944 mil menores enfrentavam dupla jornada, conciliando atividades econômicas e tarefas de assistência doméstica.

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