Situações sob forte pressão no ambiente corporativo, como prazos apertados e reuniões tensas, têm motivado os profissionais brasileiros a buscarem ativamente o aprimoramento de suas competências comportamentais. Um levantamento conduzido pela escola de negócios Conquer mapeou os termos mais pesquisados nos mecanismos de busca do país nos últimos doze meses para identificar quais soft skills despertam maior interesse popular.
O ranking das competências mais procuradas
De acordo com os dados coletados, o topo da lista é ocupado por inteligência emocional e autoconhecimento, sinalizando uma busca intensa por controle interior e compreensão de padrões pessoais de comportamento. Logo abaixo aparecem habilidades voltadas ao raciocínio e à tomada de decisão, como pensamento crítico e raciocínio lógico, enquanto o final do ranking concentra competências relacionais, a exemplo de empatia, habilidades sociais e liderança.
O cenário vai ao encontro de relatórios globais sobre o futuro do trabalho, que destacam as aptidões humanas como diferenciais diante da rápida automação de tarefas técnicas.
“É interessante perceber que as habilidades que lideram as buscas não são necessariamente aquelas que as pessoas aprendem em um curso técnico ou na graduação, mas competências que aparecem justamente quando precisamos lidar com pressão, tomar decisões, nos posicionar, trabalhar em equipe ou atravessar mudanças”, reflete Juliana Alencar, Diretora de Marketing da Conquer. “No fim, são essas situações que mostram que crescer profissionalmente também passa por saber lidar consigo mesmo e com os outros”.
Demanda por cursos práticos e formação estruturada
O estudo apontou ainda que o interesse digital vai muito além da curiosidade teórica. A maioria das pesquisas é acompanhada pelo termo “como desenvolver”, acompanhada por uma procura expressiva por formações estruturadas. Apenas no último ano, termos como “curso de inteligência emocional” e “curso de autoconhecimento” somaram mais de 50 mil buscas em território nacional.
“O dado indica uma mudança relevante na forma como essas competências são encaradas”, comenta Juliana. “Antes tratadas como traços de personalidade, algo que o profissional ‘tem ou não tem’, elas passaram a ser vistas como o que são de fato: habilidades treináveis e passíveis de prática, algo que também procuramos mostrar nos cursos oferecidos pela Conquer”.
Busca por gestão de pessoas e liderança operacional
Embora apareça na décima primeira posição geral, a gestão de equipes registrou saltos expressivos no interesse dos internautas. A procura por “cursos de liderança e gestão de pessoas” atingiu 51 mil pesquisas, com alta de 50%. Já os MBAs na mesma área somaram cerca de 23 mil buscas, registrando um crescimento de 85%.
Outro destaque foi o termo “liderança operacional”, que disparou 177% nas ferramentas de pesquisa. A expressão descreve a atuação voltada para a execução diária, acompanhamento de processos e orientação direta das equipes.
“De fato, a primeira liderança pode ser um momento bastante desafiador, especialmente porque nem sempre quem assume esse papel recebe preparo e suporte para isso”, pontua a Diretora de Marketing da Conquer. “É comum que profissionais muito bons tecnicamente precisem, de repente, desenvolver novas habilidades para lidar com pessoas, delegar, dar direcionamento e tomar decisões que antes não faziam parte da sua rotina.”
Para a executiva, a expansão dessas buscas demonstra que a senioridade técnica não garante automaticamente a aptidão gerencial. “É preciso se lembrar de que liderar não é necessariamente uma consequência automática da senioridade. Trata-se de uma habilidade que pode ser desenvolvida à medida que o profissional amplia seu repertório e encontra ferramentas para lidar com os desafios da gestão”, afirma. “Quando existe mais atenção a essa dimensão prática da liderança, a tendência é que os novos líderes se sintam mais preparados para traduzir os objetivos da empresa em decisões no dia a dia.”
A pesquisa considerou o volume de buscas realizadas por usuários brasileiros no Google entre os meses de julho de 2025 e julho de 2026, abrangendo expressões ligadas a competências socioemocionais, cognitivas e comportamentais em todas as regiões do país.









