A ativista política e ambientalista Manuella Tyler, natural de Juazeiro, no norte da Bahia, ganhou destaque nacional após vencer uma ação judicial por transfobia contra a vereadora do Rio de Janeiro Alana Passos (PL). A condenação foi proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), que impôs uma multa de R$ 15 mil à parlamentar e ordenou a exclusão definitiva da gravação publicada na rede social Instagram.
Trajetória política e ativismo ambiental em Juazeiro A trajetória de Manuella é marcada pela defesa dos direitos humanos, da população LGBTQIA+ e de pautas socioambientais na região norte baiana. Em 2024, ela disputou uma vaga na Câmara Municipal de Juazeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), terminando como primeira suplente. Posteriormente, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) para concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, onde também figurou como suplente.
Na frente ambiental, a ativista concentra esforços na preservação do Rio São Francisco. Entre suas iniciativas de destaque está a organização de um mutirão de limpeza nas margens da Ilha do Fogo, situada entre Juazeiro e Petrolina (PE), realizado em outubro de 2025 para recolher resíduos e plantar mudas nativas. Além disso, participou ativamente de protestos para remover de Juazeiro um monumento em homenagem ao ex-jogador Daniel Alves, condenado por estupro na Espanha, ação que recebeu menção honrosa em requerimento na Câmara dos Deputados pelo enfrentamento à violência contra a mulher.
Repercussão nacional e o episódio com Lula A notoriedade nacional da baiana ampliou-se em fevereiro de 2026, durante as festividades dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) em Salvador. Na ocasião, ela interagiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e registrou uma selfie que rapidamente viralizou nas plataformas digitais, gerando intensa repercussão e ataques virtuais que, segundo ela, continham forte teor transfóbico.
Detalhes da condenação por transfobia no TRE-BA O processo teve origem em um vídeo no qual Alana Passos criticava a articulação para a formação de uma bancada trans no legislativo federal. Na gravação, a então candidata a deputada federal utilizou termos como “contaminação da juventude” e pediu que mulheres cisgênero evitassem votar em candidatas trans.
“Está tendo um movimento para criar a primeira bancada trans na Câmara dos Deputados Federais. E aí eu pergunto a vocês, será que até quando nós iremos permitir que uma minoria barulhenta tome os nossos espaços como mulheres biológicas? Elas chegarão no Congresso pra quê? Pra nos atacar? Pra nos chamar de imbecis? Pra chamar de lixo, escória da sociedade? É isso que você mulher biológica deseja?”, disse Alana no vídeo.
O relator da matéria, Gustavo Teles Veras Nunes, pontuou que o discurso extrapolou o debate político legítimo e configurou discriminação com base na identidade de gênero, caracterizando violência política de gênero. A defesa de Alana argumentou que a Justiça Eleitoral baiana não possuía competência territorial para julgar o caso, tese refutada pelo tribunal, que entendeu que o alcance da postagem atingia diretamente a imagem da ativista na Bahia. O Facebook foi removido do polo passivo após cumprir a ordem de remoção.
Posicionamentos após a decisão judicial Em nota oficial, a defesa da vereadora informou que respeita as decisões do Judiciário, mas ressaltou que a sentença comporta recurso e que a parlamentar continuará recorrendo em todas as instâncias para comprovar a inexistência de irregularidades, sustentando que a manifestação estava acobertada pela liberdade de expressão.
Por sua vez, Manuella avaliou a decisão como um marco fundamental para a garantia dos direitos civis e políticos das pessoas trans.
“A política precisa ser um espaço de disputa de ideias, não de perseguição a pessoas por quem elas são. Quando uma candidata usa sua campanha para deslegitimar mulheres trans e estimular sua exclusão dos espaços de poder, isso não pode ser tratado como uma simples opinião. Estamos falando de dignidade, de direitos políticos e do direito de disputar eleições sem ser alvo de discriminação”, afirmou.









