O valor do limão tahiti permanece acima da média nos mercados e feiras livres de Feira de Santana. Enquanto isso, o mercado registra maior disponibilidade de frutas mais doces, como melancia e manga espada, nas bancas locais.
Versatilidade na culinária e impactos no orçamento Graças ao seu perfil cítrico, o ingrediente é amplamente utilizado em pratos salgados, doces, bebidas refrescantes e marinadas. Contudo, com a alta no preço por quilo ou unidade observada nos últimos meses, a relação entre o consumidor e o produto acabou azedando na região.
Na feira livre da Estação Nova, a unidade da fruta continua sendo comercializada a R$ 1, sem uma estimativa exata para a retração dos valores.
Retração nas feiras livres De acordo com o feirante Elisângelo de Jesus, a valorização excessiva da mercadoria afetou diretamente o volume de vendas, já que o público reduziu as quantidades adquiridas.
“O cliente continua comprando, porém menos. Porque o limão é uma das frutas que o povo não pode deixar de não ter na mesa. Tem que ter. O biribiri não substitui o limão. É azedo, mas não vai servir, não vai ter a mesma serventia”, comentou.
Na Ceasa do município, a situação é refletida no atacado: a saca, que antes era comercializada por R$ 50, disparou para aproximadamente R$ 150.
Entressafra e chuvas afetam a oferta nacional Especialistas apontam que o encarecimento repentino decorre da baixa produtividade na entressafra — período entre maio e meados de setembro —, além de precipitações excessivas nas principais zonas produtoras, o que prejudicou tanto a colheita quanto a oferta do item.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o limão figurou entre os produtos com maiores altas em todo o país em agosto, com o movimento inflacionário iniciando em junho devido ao desequilíbrio entre oferta e demanda. O levantamento também aponta a Bahia como a quarta maior produtora nacional, alcançando 87 mil toneladas em 2024.
Impacto do cinturão paulista e perspectivas O reajuste nos valores decorre principalmente da baixa produtividade no cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da colheita brasileira, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A instituição avalia que o fenômeno El Niño teve interferência limitada na safra, visto que a principal florada de julho no Sudeste sofreu com ventos irregulares e chuvas acima da média.
A expectativa da entidade é que a normalização ocorra gradualmente até o final do ano com a entrada da nova safra. No entanto, persistem dúvidas sobre possíveis estiagens provocadas pelo avanço do El Niño, que poderiam prejudicar as plantas e as próximas floradas, mantendo um cenário de instabilidade no mercado.









