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Justiça proíbe assédio eleitoral na Câmara de Feira de Santana

Justiça determina medidas contra suspeita de assédio eleitoral na Câmara de Feira de Santana

Em decisão liminar concedida às vésperas do segundo turno das eleições, a Justiça do Trabalho acolheu parcialmente um pedido de urgência contra a prática de coação política na administração pública de Feira de Santana. A determinação judicial atinge a Prefeitura Municipal, o presidente da Casa Legislativa, Marcos Lima, e o vereador Flávio Arruda Morais, conhecido como Galeguinho.

Proibições estabelecidas e penalidades previstas

Proferida pelo juiz Murilo Carvalho Sampaio Oliveira, a decisão veda qualquer tentativa de coagir, pressionar ou constranger estagiários, servidores públicos e funcionários terceirizados a manifestar apoio ou votar em determinados candidatos e legendas. Fica expressamente proibido vincular a permanência nos postos de trabalho ou a concessão de benefícios funcionais ao alinhamento político, bem como exigir o comparecimento de colaboradores a atos de campanha partidária.

O despacho judicial também impede o emprego de enquetes, formulários ou softwares de inteligência artificial voltados a monitorar as preferências eleitorais das equipes. Os réus receberam o prazo de 24 horas para veicular a íntegra da decisão nos grupos e canais oficiais da Câmara, além da obrigação de manter preservados metadados, gravações e registros de mensagens sob investigação.

Em caso de descumprimento das ordens, foi fixada uma multa de R$ 10 mil para cada episódio constatado de coação ou eliminação de provas. Já a omissão na publicação interna do texto judicial ou na guarda dos arquivos poderá acarretar sanção diária de R$ 2 mil, com teto de R$ 20 mil por demandado.

Denúncias motivaram atuação do MPT

A ação civil pública foi formalizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) após relatos de constrangimentos dirigidos a trabalhadores do município. Entre os elementos apresentados está uma gravação atribuída a Marcos Lima com menções a vigilância e retaliações na estrutura administrativa, material cuja veracidade é rebatida pelo parlamentar.

O processo também cita manifestações atribuídas ao vereador Galeguinho sobre a demissão de assessores que demonstrassem posições contrárias, mencionando que, para esses servidores, “a porta de entrada seria também a de saída”. Diante do cenário, o MPT solicitou tutela preventiva para resguardar o funcionalismo — abrangendo de comissionados a aprendizes — e pleiteou indenização de R$ 200 mil a título de danos morais coletivos.

O Poder Executivo local figura como parte na ação devido ao fato de a Câmara Municipal não possuir personalidade jurídica própria para responder isoladamente em juízo.

Manifestação dos envolvidos

A Presidência do Legislativo feirense declarou que não reconhece a autenticidade do áudio anexado aos autos e sustentou ter sido vítima de invasão em contas e dispositivos institucionais. Por meio de nota, ressaltou a inviolabilidade do sufrágio universal, declarando que não tolera pressões contra servidores e que a postura partidária de Marcos Lima reflete unicamente sua posição individual enquanto cidadão, fora do ambiente de trabalho.

Por sua vez, a Prefeitura de Feira de Santana comunicou que o prefeito José Ronaldo segue em licença médica domiciliar, em processo de recuperação de uma intervenção cirúrgica cardíaca, encontrando-se temporariamente afastado das atividades políticas.

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