Um bloco de parlamentares da capital baiana protocolou, em reunião reservada com o comando da Câmara Municipal, um requerimento para a criação de uma investigação oficial sobre o corte de coletivos nas ruas durante o segundo turno das eleições.
Busca por assinaturas na Câmara
Até o momento, a oposição na Casa conseguiu reunir dez das catorze rubricas necessárias para tirar o projeto do papel e instaurar o procedimento de apuração.
“É colher essas assinaturas e fazer com que, se houver o acolhimento das 14 assinaturas, abrir essa CEI. Mais do que isso é esperar a investigação que está sendo feita pela Polícia Federal para que nós possamos tomar algum tipo de providência”, destacou o presidente da Casa.
Relatório e fiscalização do TRE
Documentos obtidos pelo Tribunal Regional Eleitoral revelam que magistrados realizaram vistorias em garagens e confirmaram a circulação de veículos abaixo do patamar habitual de dias úteis, seguindo diretrizes repassadas pela secretaria municipal.
O Procon local e equipes de fiscalização registraram centenas de coletivos imobilizados nas garagens das empresas concessionárias durante o dia de votação.
Defesa da Secretaria de Mobilidade
O chefe da pasta municipal, Pablo Souza, declarou que a gestão seguiu o mesmo planejamento aplicado em pleitos anteriores e negou obrigatoriedade federal de frota máxima.
“Adotamos no domingo exatamente a mesma estratégia que adotamos no primeiro turno das eleições deste ano. Há mais de 10 anos, a prefeitura de Salvador adota a mesma estratégia. O TSE, em nenhum momento, determinou que 100% da frota de ônibus estivesse em nenhuma cidade do país”, afirmou.
A prefeitura justificou que parte dos veículos foi retida temporariamente pela manhã devido à necessidade de remoção de adesivos com propaganda partidária, o que gerou impacto operacional momentâneo.
“Nossa equipe prontamente entrou no circuito. Praticamente toda a frota que estava na garagem neste dia amanheceu adesivada e as empresas de ônibus iniciaram logo cedo a remoção, que é determinada pela TSE. Quando a gente identificou que estava tendo impacto operacional, entramos no circuito e determinados que não impedissem nenhum ônibus sair da garagem”, afirmou o secretário.
Situação do secretário e desdobramentos
O gestor estava em viagem oficial a Paris no dia do pleito, mas pontuou que gerenciou a crise à distância com a equipe e os operadores do sistema.
“Embora eu estivesse em uma missão institucional a convite do governo francês, nós fizemos a mesma programação do primeiro turno. E apesar de estar fora do país, atuei junto com toda a equipe, fiz contato com todos os empresários, com a direção e coordenação da secretaria de mobilidade e com o sindicato”.
“Atuei de forma firme, para garantir que independente dessa divergência, os ônibus pudessem circular”, afirmou.
A Justiça chegou a ordenar a detenção do secretário, mas a medida foi tornada sem efeito após o encerramento da votação, embora as autoridades federais sigam com apurações em andamento sobre o episódio.









