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BYD prevê primeiro carro 100% brasileiro na Bahia e mira porto antigo

Um ano após inauguração de fábrica na Bahia, BYD prevê carro 100% brasileiro até dezembro e mira aquisição de porto

Um ano após inaugurar sua estrutura completa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, a montadora chinesa BYD anunciou que planeja finalizar a montagem do seu primeiro automóvel 100% brasileiro até dezembro deste ano. A revelação ocorreu durante uma coletiva de imprensa na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador.

Testes e produção nacional

Segundo o vice-presidente da fábrica, Alexandre Baldy, os complexos de soldagem, pintura e estamparia já iniciaram a fase de testes em outubro. O objetivo é engatar a produção local de forma definitiva nos próximos meses.

“Nós já temos um regime de teste, a estampa, solda e pintura sendo implementadas. Portanto, creio que em meados de novembro nós estaremos com esses testes para que a gente possa, de fato, começar a produção local entre novembro e dezembro”, afirmou o executivo.

O primeiro modelo inteiramente fabricado em solo nacional será o Atto 2, um veículo híbrido plug-in que combina motor elétrico e a combustão, com preços estimados entre R$ 149.990 e R$ 166.660. Atualmente, a unidade fabril produz cerca de 700 unidades diárias, incluindo modelos como Dolphin Mini, Song Pro e King.

Estratégia logística com o Porto da Ford

Para elevar a competitividade e cumprir exigências de conteúdo local do Mercosul — que demanda pelo menos 35% de componentes nacionais —, a empresa demonstrou forte interesse em assumir o controle do antigo Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, conhecido como “Porto da Ford”, localizado em Candeias.

O terminal está desativado desde 2021 e pertence ao governo estadual. A intenção é utilizar a estrutura no Canal de Cotegipe para escoar a produção automotiva baiana para outros países do continente.

“Nossa estratégia é, de fato, sermos uma empresa regional contígua entre América do Sul, Central e Norte, onde nós aproveitaríamos essa estratégia para exportar a partir da Bahia”, pontuou Baldy.

Impacto econômico e empregos

Considerado o maior polo da marca fora da China, o complexo recebeu aportes de R$ 11 bilhões em uma área de aproximadamente um milhão de metros quadrados. Atualmente, a operação emprega 9 mil trabalhadores diretamente, com projeção de alcançar 10 mil postos ainda este ano e 20 mil quando os investimentos forem totalmente concluídos.

De acordo com levantamentos do Observatório da Fieb, a remuneração média na fábrica é de R$ 3,9 mil, superando em 24% a média industrial do estado. O economista Thobias Silva destacou que o monitoramento utiliza bases governamentais como Rais e Caged para mensurar a transformação econômica na região.

“A gente vai pegar todo o histórico do que era Camaçari antes e depois da BYD, e vamos projetar isso. A Fieb tem, inclusive, condição de saber como era Camaçari quando outra empresa ocupava esse terreno”, explicou.

Desafios e concorrência no setor automotivo

A expansão acelerada das marcas asiáticas movimenta o mercado e gera debates sobre a competitividade da indústria tradicional. Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, admitiu recentemente que as montadoras ocidentais falharam na leitura do ritmo de eletrificação global.

“A palavra correta é erro. A indústria ocidental errou na leitura de mercado daquilo que poderia se estabelecer em termos de velocidade de avanço de algumas tecnologias. Que o caminho seria eletrificado, todo mundo sabia”, declarou o dirigente.

Por outro lado, o executivo criticou a assimetria de custos e a ausência de incentivos para o uso de insumos locais, citando a diferença de preço do aço e cobrando maior integração com fornecedores nacionais de autopeças. Dados recentes da Anfavea apontam que o Brasil importou 406,7 mil veículos nos primeiros oito meses do ano, sendo mais da metade proveniente da China.

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