Gravações divulgadas nas redes sociais apontam uma suposta diretriz do Sindicato dos Rodoviários para a aplicação de adesivos de campanha em coletivos de Salvador no último domingo de votação do segundo turno. A situação motivou investigações sobre crime eleitoral e redução irregular do transporte público, resultando na retenção de veículos nas garagens.
Orientações internas e investigação
A voz presente nos registros é apontada como sendo do presidente interino da entidade, Fábio Primo. Nas conversas, há instruções para priorizar os veículos que efetivamente circulariam, devido à escassez de material para toda a frota.
“Não tem material suficiente para todos os carros, então, quando chegar, temos que pegar na mão do operador o número dos carros que vão sair, para a gente colar apenas nos carros que vão sair, até porque eles não colocam 100% da frota”, diz a mensagem.
Em outro trecho, a cobrança por engajamento é reforçada: “Temos que pegar o material [adesivos]. O momento é crucial. Não existe outra alternativa, então todo mundo tem que se doar um pouco”.
Procurado pela reportagem, o sindicato optou por se manifestar por meio de nota oficial, rechaçando as acusações e criticando a condução do caso.
No posicionamento, a entidade afirmar ser “inadmissível distorcer os acontecimentos para construir uma narrativa que responsabilize a entidade sindical, desviando o foco das circunstâncias efetivas que levaram à retenção dos ônibus”.
O sindicato afirma também que não vai aceitar acusações “infundadas” nem “tentativas de deslegitimar sua atuação”, e pontua que os fatos devem ser apurados com seriedade, responsabilidade e transparência, “sem manipulações ou atribuições indevidas de culpa”.
A Procuradoria Geral do Estado acionou o Ministério Público Federal com os novos elementos, incluindo o material de áudio, enquanto parlamentares locais buscam instaurar uma comissão especial de inquérito na Câmara Municipal.
Vistorias e defesa da prefeitura
Inspeções realizadas por autoridades do Tribunal Regional Eleitoral nas garagens de empresas operadoras constataram frotas abaixo do volume regular de dias úteis, corroborando denúncias sobre a limitação do serviço durante o pleito.
Em sua defesa, o secretário municipal de mobilidade, Pablo Souza, declarou que o planejamento seguiu o mesmo modelo aplicado em pleitos anteriores e que as diretrizes federais não exigiam a totalidade dos veículos em circulação.
“Adotamos no domingo exatamente a mesma estratégia que adotamos no primeiro turno das eleições deste ano. Há mais de 10 anos, a Prefeitura de Salvador adota a mesma estratégia. O TSE, em nenhum momento, determinou que 100% da frota de ônibus estivesse em nenhuma cidade do país”, afirmou.
O caso segue sob análise das autoridades competentes para esclarecer tanto a circulação reduzida dos coletivos quanto a suposta propaganda irregular nas garagens.









