Com apenas dez anos de idade, o baiano Marcelo Gomes Viana Lopes conquistou a terceira colocação no curso de Engenharia Mecânica na Universidade de Fortaleza (Unifor). O desempenho foi divulgado no sábado (2) e comemorado por seus familiares, que atualmente residem na capital cearense.
“Não vou mentir, fiquei nervoso porque era meu primeiro dia fazendo o vestibular e também porque a universidade era gigante, tinha pessoas bem mais velhes que eu”, relembrou Marcelinho, como gosta de ser chamado.
Histórico de superdotação e mudança para o Ceará Quatro anos antes, quando tinha apenas seis anos, o garoto — conhecido na internet como ‘Marcelinho Ensina’ — integrou a Intertel, uma sociedade internacional voltada para pessoas superdotadas. Na época, avaliações especializadas apontaram que ele possui QI de 138 na Escala Wechsler de Inteligência, índice que supera a média geral, situada entre 90 e 109.
Em entrevista concedida em 2023, seus pais relataram que ele começou a falar aos seis meses de vida e foi alfabetizado aos dois anos. Aos seis, já demonstrava fascínio pela matemática, estudava inglês, espanhol e francês, criava jogos eletrônicos e fazia aulas de desenho.
No ano de 2024, a família deixou Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, rumo a Fortaleza. A transferência ocorreu após o garoto conquistar uma bolsa de estudos integral no Colégio Farias Brito, estabelecimento particular conhecido pela forte preparação para exames concorridos como ITA, IME e Enem.
Integração em turmas olímpicas e mais de 150 medalhas Na nova escola, Marcelinho passou a integrar uma turma voltada para competições acadêmicas e recebeu suporte especializado. Estimulado pela instituição, engajou-se em disputas de robótica, matemática, química e física, somando mais de 150 medalhas.
A decisão de prestar vestibular tão cedo gerou apreensão na mãe, a advogada Tatiana Gomes. De acordo com ela, o estudante, matriculado no 7º ano do ensino fundamental, buscou informações por conta própria na internet e optou pela mesma carreira do pai, o perito criminal Marcelo Viana Barbosa Lopes.
“Eu não achei que ele fosse passar, porque sabia que iria concorrer com pessoas bem mais velhas. Quando vi o resultado, senti um orgulho inenarrável”, contou.
Aprovação na Epcar e metas futuras Além da conquista na universidade, o estudante também foi aprovado neste ano na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar). O processo seletivo era destinado a jovens de 13 a 21 anos e cobrava conteúdos do ensino fundamental II, mas ele não pôde prosseguir no certame devido à restrição de idade.
“Quero ser astronauta e sempre gostei de exatas. Escolhi engenharia por causa do meu pai, que é formado em Engenharia Mecânica na Ufba”, disse.
Extenso currículo científico e rotina infantil Desde a chegada ao Ceará, as atividades acadêmicas do menino se multiplicaram. Além da Intertel, ele ingressou na Mensa, outra associação global para superdotados.
O garoto também integra um programa da Nasa voltado para a busca de asteroides, atua como bolsista de iniciação científica júnior da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (Oba), colabora com oficinas de foguetes da Equipe Wigpédia junto à Universidade Federal do Ceará e atua como embaixador de diferentes olimpíadas do conhecimento.
“As olimpíadas me ajudaram a fazer prova sob pressão, porque tem o cronômetro, são muitas questões. Isso me ajudou no vestibular”, contou.
Apesar da intensa rotina de estudos e do currículo avançado, Marcelinho mantém hábitos típicos da infância, dedicando tempo aos videogames e jogos de RPG com amigos, passeios com a cachorrinha e a prática de natação e jiu-jitsu.
“Eu ainda tenho uma infância, sou uma criança normal, mesmo gostando de estudar e passando no vestibular. Isso não anula minha infância”, afirmou.
O jovem também utiliza suas páginas nas redes sociais e canais no YouTube para transmitir noções de física e matemática, estimulando outras crianças e adolescentes a participarem de competições científicas. A família assegura que continuará dando suporte total ao seu ímpeto de aprender.









