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Maternidade após os 40 anos cresce no Brasil e desafia estatísticas

Maternidade após os 40 anos avança e já soma centenas de partos em Feira de Santana; entenda riscos e cuidados

O adiamento da maternidade tornou-se uma tendência consolidada entre as mulheres brasileiras, impulsionado pela busca por estabilidade financeira, investimentos na carreira e planejamento pessoal. Essa mudança demográfica ganhou evidência nacional e reflete diretamente nos índices oficiais de natalidade registrados nas últimas décadas.

Crescimento nos registros oficiais

De acordo com estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade de partos em mulheres com 40 anos ou mais saltou de 57.983 em 2003 para 106.263 em 2022, o que representa uma expansão de aproximadamente 83% em um intervalo de vinte anos. Na cidade baiana de Feira de Santana, a realidade segue a mesma tendência: dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) indicam que, entre janeiro e agosto de 2026, o Hospital Estadual da Criança (HEC) contabilizou 1.450 nascidos vivos, sendo 110 filhos de mães com idade entre 40 e 49 anos. Já o Hospital da Mulher registrou 768 partos nessa faixa etária em 2025 e outros 498 entre janeiro e julho de 2026.

Fatores biológicos e sociais

A decisão de ter filhos mais tarde envolve tanto transformações no estilo de vida quanto limitações biológicas naturais. A ginecologista e obstetra Andrea Alencar pontua que o cenário já faz parte do cotidiano clínico.

“Hoje é uma realidade. Nós nos deparamos cada vez mais com mulheres a partir dos 40 anos. Isso se dá por conta da mulher postergar a maternidade. Existem muitas coisas que acontecem ao longo da vida: estudar, independência financeira, até mesmo encontrar o parceiro que seria o parceiro ideal para ela decidir essa gestação”, explica.

Em termos fisiológicos, o corpo feminino lida com a diminuição progressiva da reserva ovariana e o envelhecimento dos óvulos, o que reduz as chances de concepção espontânea e eleva a probabilidade de anomalias cromossômicas.

O papel do congelamento de óvulos

Técnicas de reprodução assistida, como o congelamento de óvulos, tornaram-se alternativas frequentes para quem deseja assegurar a fertilidade futura. O procedimento consiste na estimulação ovariana, coleta e armazenamento das células em laboratório para uso posterior na fertilização in vitro.

Apesar de ampliar as possibilidades, a médica lembra que a intervenção não assegura uma gravidez bem-sucedida. “É uma orientação para aquela mulher que não tem um parceiro fixo ou ainda não tem vontade ou condição imediata de engravidar”, afirma.

Desafios e superações pessoais

Histórias reais ilustram os obstáculos e as superações desse período. Aleteia Almeida teve seu segundo filho de forma natural aos 42 anos, após enfrentar quatro abortos espontâneos e o diagnóstico da Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF), condição autoimune que prejudica a circulação na placenta.

“Na verdade, eu já havia desistido de engravidar. Passei por quatro abortamentos espontâneos e, depois de descobrir a síndrome, fiz o tratamento, sem sucesso. Engravidei depois disso naturalmente e tinha muito medo de perder o bebê ou dele ter algum problema de saúde devido a todo esse histórico”, relata.

Após o nascimento, ela destacou a importância da disciplina com a saúde: “Gravidez não é doença, mas é incômoda e, nessa idade, inspira mais cuidados, um pré-natal criterioso e seguir uma rotina de saúde e exames cuidadosos. Cuidei bastante da alimentação, sono, exercícios físicos e segui até o final da gestação me sentindo muito feliz”, conta Aleteia.

Riscos e importância do pré-natal

Do ponto de vista médico, a idade materna avançada amplia a propensão a condições como hipertensão gestacional, diabetes, prematuridade e restrição de crescimento fetal. Contudo, a presença desses riscos não significa que eles inevritivamente ocorrerão, pois o histórico clínico prévio de cada paciente exerce um papel fundamental.

O acompanhamento médico rigoroso desde a fase de planejamento é apontado como a principal ferramenta para mitigar complicações e garantir a segurança de mãe e filho.

“O fator idade não deve ser um fator único de contraindicar uma gestação. O que essa mulher deve fazer é planejar sua gestação, seja ela com 40 mais ou 40 menos, procurar um médico que faça todas as orientações, detecte fator de risco, controlar a hipertensão, controlar a glicemia, fazer atividade física e, principalmente, um pré-natal rigoroso e de boa qualidade”, orienta Andrea Alencar.

A especialista conclui que a medicina moderna dispõe de recursos avançados para monitorar o desenvolvimento fetal e rastrear eventuais patologias precocemente. “A assistência pré-natal, a realização dos exames, os rastreios das doenças, os rastreios das malformações, das cromossomopatias, tudo isso hoje a medicina oferece como ferramenta para a gente evitar complicações”, finaliza.

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