Físicos brasileiros estão investigando o comportamento de uma das partículas mais esquivas do universo, os neutrinos, cuja captação rendeu recentemente o Nobel de Física ao pesquisador belga Francis Halzen.
A invenção que revolucionou a ciência Em 1988, Halzen propôs algo que parecia quase impossível: usar o próprio gelo da Antártida como ferramenta de detecção em larga escala. A ideia resultou na construção do Observatório de Neutrinos IceCube no Polo Sul, projetado para registrar sinais raríssimos vindos de fenômenos cósmicos extremos. A cada segundo, uma quantidade imensa dessas partículas atravessa um espaço do tamanho de uma unha sem produzir reação detectável.
Como funciona a captação no gelo antártico A estrutura do observatório ocupa um volume equivalente a um quilômetro cúbico de gelo. Cabos profundos sustentam milhares de sensores de luz, posicionados para captar um fenômeno extremamente incomum: o instante em que um neutrino colide com um núcleo atômico. Dessa colisão rara nasce um brilho azul característico, gerado por partículas carregadas que se movem rapidamente pelo gelo, permitindo calcular a origem e a energia do neutrino.
Mensageiros de eventos cósmicos violentos Essas entidades raramente trocam qualquer sinal com a matéria ao longo do trajeto, o que lhes rendeu o apelido de “partículas fantasma” — capazes de cruzar o planeta, o gelo e até tecidos humanos sem deixar vestígio algum. Como não possuem carga elétrica, elas não sofrem desvios de campos magnéticos espalhados pelo espaço, mantendo uma rota que aponta diretamente para a fonte de eventos violentos, como explosões estelares e buracos negros.
A participação do Brasil em megaprojetos Grupos de física no Brasil se debruçam sobre dados do IceCube em busca de pistas sobre os primeiros instantes do cosmos e também integram o Dune, um megaprojeto internacional de neutrinos que investiga por que a matéria prevaleceu sobre a antimatéria após o Big Bang. Como contribuição de destaque, a Unicamp desenvolveu um método de purificação de argônio líquido para os detectores do Dune, iniciativa avaliada em 3,7 bilhões de dólares que reúne cerca de 1,4 mil cientistas de 37 países com instalações a 1,6 quilômetro de profundidade nos Estados Unidos.









