Um terceiro envolvido no assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete foi condenado a 28 anos de prisão, nesta terça-feira (13), em Salvador. O julgamento ocorreu três anos após o crime que chocou o estado.
Julgamento e detalhes da sentença Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuim”, foi a júri popular e irá cumprir pena em regime inicialmente fechado, conforme a sentença divulgada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). A defesa do réu informou que irá recorrer da decisão. Josevan havia sido preso em setembro de 2025, dois anos após o crime, ao manter a companheira e dois filhos reféns em Simões Filho.
Histórico do crime em Simões Filho O homicídio aconteceu em agosto de 2023, no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). A vítima estava dentro da própria casa, acompanhada de três netos, quando dois homens mascarados invadiram o imóvel, retiraram os jovens da sala e dispararam 25 tiros contra a religiosa. O inquérito apontou que a ordem partiu de um chefe do tráfico local.
Situação dos demais suspeitos Outros cinco investigados são apontados no caso, com quatro deles diretamente ligados ao homicídio. Arielson da Conceição dos Santos, apontado como executor, pegou 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. Marílio dos Santos, apontado como mandante, foi condenado a 29 anos e 9 meses, mas morreu em uma troca de tiros com policiais militares dias após a sentença. Outros réus aguardam julgamento por receptação de celulares, auxílio no plano ou suporte na fuga.
Indenização aos familiares Em 2025, os familiares de Mãe Bernadete ajuizaram uma ação indenizatória contra a União e o Estado da Bahia cobrando R$ 11,8 milhões por falhas de segurança, visto que a ialorixá estava sob proteção policial na época do crime. Em fevereiro deste ano, a Procuradoria Geral do Estado confirmou que os pagamentos do acordo administrativo foram concluídos, embora os valores permaneçam sob sigilo.









