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Incêndio na Lagoa Salgada expõe alta de queimadas em Feira de Santana

Após incêndio na Lagoa Salgada, Bombeiros alertam para aumento das queimadas em Feira de Santana

Moradores da região da Lagoa Salgada, próximo à Avenida Nóide Cerqueira, em Feira de Santana, enfrentaram momentos de forte tensão devido a um incêndio de grande porte que atingiu a vegetação seca sobre um terreno de lama e água. A densa fumaça gerada pela queima lenta provocou grande incômodo e riscos consideráveis de doenças respiratórias na vizinhança.

Dificuldades de acesso e monitoramento

Devido à complexidade do terreno, as equipes do Corpo de Bombeiros enfrentaram obstáculos para alcançar todos os pontos das chamas. O chamado inicial ocorreu por volta das 20h, com monitoramento contínuo até a redução do fogo.

“Por volta de 1 hora da manhã, nossa equipe foi acionada novamente, retornamos ao local, realizamos o monitoramento, porém o que acontece ali na Lagoa Salgada é algo recorrente durante todos os anos. Ali a principal dificuldade é o acesso, é um local de charco, onde as equipes não têm como adentrar, a depender de onde esse fogo esteja localizado, que foi o que aconteceu na última semana. Mas o tempo todo estávamos presentes no local, aquilo que foi possível fazer, fizemos, e graças a Deus hoje encontra-se tudo controlado naquela região”, explicou o subtenente do 2º Grupo de Bombeiros Militares (GBM), Josafá Santos.

O militar detalhou que a vegetação antiga e compactada, somada ao lençol freático subterrâneo e às altas temperaturas, propicia o fenômeno da alta ignição. “Ali com o passar do tempo e as altas temperaturas, acontece o fenómeno que a gente chama de alta ignição, que é o que a gente percebe que tem ocorrido ali naquela lagoa, de algumas situações, que não é o fogo proposital, colocado, mas é algo para se investigar, pois tem sido algo recorrente aqui em nossa cidade, esse incêndio na Lagoa Salgada”, pontuou.

Estatísticas alarmantes de incêndios em vegetação

O avanço das queimadas preocupa tanto a vizinhança quanto as forças de segurança. O subtenente Josafá Santos informou que, entre janeiro e julho, a cidade contabilizou 226 chamados, uma média de 32 ocorrências mensais.

“Só nos meses de agosto e setembro, nós tivemos 90 incêndios, o que significa uma média de 35% de aumento com relação à média de janeiro a julho, totalizando até o fim de setembro 316 ocorrências, sendo que desse total, cerca de 70% dos incêndios são em vegetação”, destacou.

O calor intenso, a baixa umidade e a chegada de fenômenos climáticos como o El Niño agravam o cenário de seca pós-inverno, elevando o risco de novas ocorrências antes mesmo do início oficial do verão.

Causas humanas e crimes ambientais

Além dos fatores naturais, a ação humana continua sendo um vetor crítico. Práticas como a queima de lixo e a limpeza inadequada de terrenos baldios frequentemente fogem do controle.

“Muitas pessoas limpam um terreno baldio, ao invés de realizar a capinagem do terreno, e acabam colocando fogo nesse local. Também a situação de lixo, temos muita gente ainda que coloca folhagens, faz a limpeza do terreno, acumula folhas, coloca fogo, muitas vezes até em lixo, e aí a gente percebe que isso foge do controle, e é onde aumenta a incidência de incêndio e vegetação em nossa cidade”, alertou o oficial.

O uso de fogo em áreas urbanas é considerado crime ambiental e prevê sanções severas, incluindo reclusão conforme a Lei Federal 9.605/1998 (artigos 41 e 54), o Decreto Estadual 15.180/2014 e a Lei Municipal Complementar 120/2018.

Desafios operacionais e prevenção

O combate às chamas também esbarra em barreiras estruturais, como terrenos particulares murados, buracos, cisternas abandonadas e valas que comprometem a segurança dos bombeiros durante operações noturnas.

Diante desse cenário, a corporação reforça a necessidade de prevenção e conscientização coletiva, especialmente por parte de síndicos de condomínios vizinhos a áreas verdes não construídas. “A gente orienta a não colocar fogo de forma alguma em qualquer tipo de vegetação, lixo, folhagens. Uma outra situação, pessoal de condomínio, onde geralmente têm um muro e ao lado tem um terreno também vasto, ainda por ser construído, com muita vegetação. Solicitamos ao pessoal de condomínios, aos síndicos, para verificar com os proprietários desses terrenos a limpeza próxima ao muro, com o intuito de termos menos possibilidade desses incêndios. Uma vez que aconteçam, podem chegar até próximo das residências, trazendo a possibilidade também de queima de patrimônio urbano, no caso de residências e fábricas”, concluiu o subtenente.

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