O mercado pecuário da Bahia registrou um novo marco nesta terça-feira (27), quando a arroba do boi gordo alcançou R$ 395 em Feira de Santana. O avanço de R$ 5 em comparação ao período anterior consolida o recorde de 2026 na praça baiana, deixando a cotação a poucos passos da barreira psicológica dos R$ 400.
Escalada de preços e oferta restrita
Desde o início de setembro, quando o valor era de R$ 340, a alta acumulada já atinge R$ 55, representando um acréscimo de 16,18%. O ritmo de alta acompanhou as previsões da Cooperfeira, impulsionado principalmente pela escassez de animais prontos para o abate na região.
Para Agenor Campos, presidente do Frifeira e diretor da Cooperfeira, o novo reajuste não representa surpresa. A redução da disponibilidade de animais terminados continua contribuindo para a firmeza das cotações, e ainda existe possibilidade de a arroba alcançar R$ 400 até o encerramento de outubro.
Apesar da tendência de alta impulsionada pela oferta limitada, o cenário atual exige cautela. Agenor considera que o mercado poderá encontrar dificuldades para sustentar o ritmo de valorização observado recentemente diante de novos fatores econômicos.
Sinais de alerta no consumo interno
O principal ponto de atenção migrou para o comportamento do consumidor brasileiro. De acordo com a avaliação do setor, a demanda interna por carne bovina pode perder força nas próximas semanas, impondo um teto natural para novas escaladas de preço nos balcões.
A conjuntura atual difere do cenário observado no início do mês, período em que o Frigorífico Frifeira operava com cerca de 500 abates diários e escoamento ágil dos cortes. Recentemente, a unidade já havia sentido os efeitos da menor oferta de gado com a retração nos abates.
Mesmo com a procura por animais terminados, a continuidade das altas dependerá da capacidade de comercialização da carne. Uma eventual retração do consumo poderá reduzir o espaço para novos aumentos, ainda que a oferta de boi gordo continue restrita.
O papel do mercado chinês e perspectivas
Além do cenário interno, os frigoríficos monitoram de perto a movimentação das exportações, com foco especial nas negociações voltadas para o mercado chinês.
Segundo Agenor, já existe movimentação de compradores buscando animais para atender à expectativa de negócios destinados à China. Esse interesse pode contribuir para sustentar a procura por boi gordo, especialmente num período de menor disponibilidade de animais para abate.
Entretanto, a efetiva influência desse movimento sobre os preços dependerá da concretização das compras e do volume destinado ao mercado externo.
Sem previsões de excesso de gado na região, o encerramento de outubro é marcado por cotações firmes, porém cercadas de cautela quanto à reação dos consumidores e à velocidade dos próximos reajustes no campo. Os dados publicados refletem os negócios monitorados junto a compradores do Frifeira, servindo como termômetro para toda a pecuária regional.









