Pela primeira vez na história, o Brasil conquistou o Eric and Wendy Schmidt Awards for Excellence in Science Communication, prestigiada premiação promovida pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos. O engenheiro biomédico Daniel Dahis foi o vencedor na categoria Research Scientist: Early Career, voltada para pesquisadores no início de suas trajetórias.
O sucesso nas redes sociais
Radicado nos Estados Unidos, o cientista divide sua rotina entre o trabalho em laboratório e a produção de vídeos educativos em português. Com conteúdo focado em vacinas, tratamentos e doenças, ele já ultrapassa a marca de 750 mil seguidores nas plataformas digitais.
A edição de 2026 da premiação americana avaliou criadores de conteúdo, jornalistas e pesquisadores divididos em oito categorias. No total, 24 profissionais foram premiados, sendo que o vencedor principal de cada categoria recebe 40 mil dólares, enquanto outros dois nomes levam 20 mil dólares cada.
Trajetória acadêmica e pesquisas em oncologia
A formação de Dahis começou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde cursou engenharia e despertou seu interesse pela área biomédica. Posteriormente, concluiu mestrado e doutorado no Technion, instituto israelense de tecnologia, período em que desenvolveu investigações em oncologia em parceria com a Escola de Medicina de Harvard.
Entre os focos de seus estudos de doutorado esteve o melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele. Na ocasião, o pesquisador testou uma estratégia de vacina personalizada combinando imunoterapia, nanopartículas e ultrassom focalizado. O projeto também utilizou adesivos com microagulhas para coletar biomarcadores, permitindo monitorar a resposta terapêutica de forma rápida e minimamente invasiva.
Inovações em tratamentos médicos
Outro desafio superado em suas investigações foi driblar a barreira hematoencefálica, estrutura que protege o cérebro mas impede a passagem de diversos medicamentos para o combate a tumores como o glioblastoma. Utilizando ultrassom, o cientista conseguiu aumentar em até 3,6 vezes a concentração de nanopartículas carregadas de remédios no cérebro de animais em testes pré-clínicos.
Além disso, atuando na empresa BioDevek, em Boston, o brasileiro liderou testes pré-clínicos de um gel adesivo em spray voltado para a proteção de lesões no sistema digestivo após procedimentos endoscópicos. O material demonstrou eficácia ao formar uma camada protetora sobre os tecidos lesionados durante análises experimentais.
Impacto e repercussão nacional
A conquista inédita repercutiu entre especialistas da área no território nacional. Rodrigo Mozelli, pesquisador da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), avalia que o troféu internacional valida o esforço de aproximar a academia da sociedade por meio de uma linguagem acessível e em língua portuguesa.









