O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou a atitude da primeira-dama de Jequié, Mariana de Freitas Oliva, que associou os eleitores de Lula (PT) aos usuários de maconha e cocaína. Depois da polêmica, ela foi exonerada do cargo que ocupava no município.
Contradição política apontada pelo governo
O comentário do petista, que foi reeleito nas eleições de 2026 para o Palácio de Ondina, sobre a primeira-dama, que também ocupava o cargo de secretária municipal de Saúde de Jequié, ocorreu na manhã desta quarta-feira (28), durante uma entrevista ao Acorda Cidade. Na ocasião, o chefe do Executivo estadual destacou a incoerência nas críticas da gestora municipal.
“Esse povo de Jequié que ela reclamou que deu voto em Lula, foi o mesmo povo que votou para o marido dela ser prefeito, já que o ex-prefeito Zé Cocá foi derrotado nas eleições como vice-governador e o vice-prefeito assumiu, ela é primeira-dama por isso”, disse Jerônimo.
Resultados eleitorais no município
Nas urnas, o cenário em Jequié mostrou forte adesão ao projeto presidencial petista. No primeiro turno, Lula obteve 53.993 votos (58,86%), enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registrou 31.824 (34,70%). No segundo turno, a vantagem aumentou para 62.460 votos (64,87%), contra 33.829 (35,13%) do adversário, representando um crescimento de 15,68% na votação.
O governador considerou a declaração inadequada para alguém que ocupa uma posição pública e questionou a mudança de tratamento em relação aos eleitores por causa de suas escolhas políticas.
“Ela poderia muito bem não se comportar dessa forma, não foi uma forma diplomática do cerimonial de uma primeira-dama. Como disse, as pessoas que votaram no Lula lá em Jequié foram a mesma pessoas que votou no marido dela. Então quando vota no marido dela é trabalhador, é séria mas quando vota no Lula a pessoa não presta?”, disse.
Apelo contra a polarização e repercussão jurídica
Durante a entrevista, o governador aproveitou a oportunidade para também pedir que a imprensa contribua para reduzir a polarização política e evitar que divergências eleitorais provoquem conflitos entre familiares e amigos.
“Uma coisa é a resenha. A resenha pode acontecer como a gente faz no esporte, mas não dá para separar a família, separar a igreja, separar amigos por conta de fatos eleitorais. Eu vou pregar isso: uma unidade no Brasil e na Bahia.”
O governador defendeu ainda que o caso seja investigado e que as instituições competentes avaliem as medidas cabíveis. Para Jerônimo, a condição de autoridade pública torna a declaração ainda mais grave.
“Ela no lugar de autoridade deu um mau exemplo. Chamar alguém de drogado, chamar alguém de cheirador de cocaína ou fumador de maconha isso é um crime. E ela, como um agente da saúde, ela devia entender que quando alguém é dependente químicos ele precisa de um apoio psicológico, religioso, de um apoio de saúde e não de tratamento que o empurre cada vez mais para longe”, finalizou o governador.
Desdobramentos administrativos
Conforme a repercussão do caso avançou, a primeira-dama foi desligada da administração municipal. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município na terça-feira (27), com efeitos práticos a partir de 1º de novembro, culminando na saída oficial da pasta da Saúde de Jequié.









