A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar se o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu auxílio direto da gestão do presidente argentino Javier Milei para deixar o território nacional com destino aos Estados Unidos. O parlamentar, que foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa presidencial, desembarcou em Miami na última quarta-feira (28), passando anteriormente pela zona da Tríprice Fronteira.
Investigação sobre a rota argentina
Conforme apurações divulgadas, um dos principais pontos de atenção dos investigadores é a presença de Santiago Caputo, assessor próximo a Milei, em Puerto Iguazú, cidade argentina que faz divisa com Foz do Iguaçu (PR). Veículos de imprensa da Argentina apontam que o colaborador presidencial acompanhou os passos do político brasileiro na região. O Ministério da Segurança da Argentina confirmou que a travessia pela Ponte Tancredo Neves ocorreu às 22h50 de terça-feira (27), sem que houvesse impedimento legal para a entrada no país vizinho.
Uso de passaporte italiano e jato particular
Para prosseguir com a viagem, o parlamentar utilizou um passaporte italiano para registrar sua saída da Argentina às 23h52 de terça-feira, embarcando em seguida em um jato particular Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW. A aeronave pertence à empresa de táxi aéreo Baires Fly, ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro, que atualmente é investigado na Argentina por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro com recursos da Agência Nacional de Deficiência (Andis), estimados em mais de 7,8 bilhões de pesos argentinos (cerca de R$ 27 milhões). A imprensa argentina indicou que a locação do jato teria sido intermediada por um aliado de Santiago Caputo, embora não existam provas definitivas de envolvimento da empresa na operação de fuga.
Contexto das restrições judiciais
A movimentação ocorreu logo após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar o cancelamento dos passaportes brasileiros e diplomáticos de Flávio, na manhã de segunda-feira (26). A decisão atendeu a um pedido da própria corporação policial, que apontou risco iminente de fuga após o revés eleitoral. Apesar da invalidação dos documentos nacionais, o uso da cidadania italiana viabilizou o trajeto, que contou com escala no Equador antes da chegada a Miami. O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que a entrada do político e de seus familiares foi autorizada pelo governo de Donald Trump.
O inquérito da Polícia Federal busca agora esclarecer a extensão de qualquer apoio oficial estrangeiro no episódio. Flávio é investigado por suposta participação em um esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas on-line, e também falhou em entregar documentos exigidos pela Justiça dentro do prazo estipulado, embora a omissão não tenha gerado um mandado imediato de prisão.









