O secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, usou as redes sociais para denunciar uma grave mensagem ofensiva recebida em seu perfil oficial. Na publicação, o gestor compartilhou um print em que um usuário desejava a morte de sua mãe, episódio que se insere no contexto de forte repercussão sobre a operação do transporte público durante o segundo turno das eleições 2026 na capital baiana, marcado pela retenção de pelo menos 75 ônibus nas garagens.
Ataque virtual e repercussão familiar
A mensagem recebida pelo secretário trazia ataques diretos e hostis: “Desgraçado!!!! Que sua mãe morra!!!!”. O perfil apontado como autor da ofensa foi identificado na rede social como sendo de um ator e diretor teatral.
Em sua postagem, Pablo Souza pontuou que sua genitora tem 82 anos e convive com o Alzheimer, enfatizando a angústia de ver entes queridos alvos de hostilidades na internet. “Como filho, é profundamente doloroso ver minha família atingida dessa forma”, escreveu.
O titular da pasta ponderou que compreende plenamente seu papel como agente público e a obrigatoriedade de prestar contas à sociedade, mas defendeu que disputas políticas jamais legitimam ameaças. “Como secretário, compreendo meu dever de prestar contas, ouvir críticas e esclarecer os fatos. Tenho cumprido as determinações da Justiça e confio em uma apuração justa. Mas nenhuma divergência política justifica ameaças ou tamanha crueldade”, afirmou.
O gestor municipal confirmou que reportou a mensagem para a plataforma digital e que já acionou o setor jurídico para adotar as providências legais cabíveis. “O debate público exige responsabilidade. Acima de qualquer diferença, precisamos preservar o respeito à vida e à nossa humanidade”, declarou.
Crise no transporte público e investigações
As ameaças ocorrem após o caos instalado no sistema de transporte coletivo no último domingo de votação, quando dezenas de veículos foram impedidos de circular, gerando longas esperas e protestos de eleitores em vários pontos da cidade.
Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), a retenção ocorreu porque os coletivos precisavam passar pela remoção de adesivos com propaganda eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conduta vedada pela legislação durante o pleito.
A polêmica resultou em desdobramentos judiciais severos, incluindo uma ordem de prisão em flagrante expedida pelo TRE-BA contra o secretário — que estava em Paris na ocasião —, medida que foi revogada no dia seguinte, embora as apurações continuem. A Polícia Federal também foi acionada pela Justiça para investigar uma possível redução superior a 50% na frota circulante no dia da votação, visando identificar se houve dolo para prejudicar o deslocamento dos eleitores.
Defesa da prefeitura e desdobramentos políticos
De volta ao Brasil, Pablo Souza argumentou que a administração municipal seguiu no segundo turno exatamente o mesmo modelo operacional aplicado na primeira etapa do pleito. O secretário pontuou que o Tribunal Superior Eleitoral não exigiu frota total em nenhuma localidade do país, justificando que a única alteração foi a necessidade de limpar os adesivos dos veículos antes da liberação para as ruas.
No âmbito legislativo, a crise também provocou movimentações. Vereadores da oposição articularam a criação de uma Comissão Especial de Inquérito na Câmara Municipal de Salvador para apurar as responsabilidades pela queda na oferta de coletivos durante o pleito eleitoral.









