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Preços dos combustíveis na Bahia continuam mais altos após privatização

Estudo aponta que Combustíveis na Bahia seguem mais caros após privatização da Refinaria de Mataripe

Os combustíveis comercializados pela Refinaria de Mataripe, situada em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador, continuam com valores superiores aos praticados pela Petrobras desde a privatização da unidade, concluída no final de 2021. O cenário foi detalhado em um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps).

Diferenças no diesel e na gasolina

Conforme o relatório, o diesel S10 comercializado pela refinaria apresentou um custo médio 8% superior ao produto da estatal durante o período analisado. Antes da incidência de impostos, o litro foi vendido às distribuidoras por R$ 4,04, enquanto a média da Petrobras ficou em R$ 3,74, registrando uma diferença de R$ 0,30 por litro.

No caso da gasolina, o panorama foi semelhante. O combustível saiu da unidade baiana por R$ 3,20 o litro, ao passo que a Petrobras praticou o valor médio de R$ 3, o que representa uma diferença de aproximadamente 7%.

Disparidade no gás de cozinha

A maior discrepância apontada pelo estudo ocorreu no botijão de gás de cozinha de 13 kg. Enquanto o item comercializado pela Petrobras teve preço médio de R$ 38,43, o produto da refinaria privatizada custou R$ 48,12, ficando 25% mais caro e quase R$ 10 acima do valor da estatal.

Atualmente administrada pela Acelen após a venda para um fundo de investimentos dos Emirados Árabes Unidos, a Refinaria de Mataripe responde por cerca de 14% da capacidade de refino do país e aproximadamente a 80% do abastecimento de combustíveis da Bahia.

Impacto das tensões internacionais

Para Eric Gil Dantas, economista do Ibeps, a privatização tinha como um dos principais argumentos a ampliação da concorrência e a redução dos preços, cenário que, segundo ele, não se concretizou.

“O argumento era de que a privatização ampliaria a concorrência. No entanto, isso não aconteceu. Além disso, a Acelen atua apenas na etapa do refino, diferentemente da Petrobras, que possui uma cadeia integrada, desde a extração do petróleo até a comercialização dos combustíveis”, afirma.

O levantamento aponta ainda que a distância entre os preços se ampliou após a escalada de tensões no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. De acordo com o economista, a diferença chega a superar 42% no diesel S10, 32% na gasolina e quase 40% no gás de cozinha.

“Quando os preços internacionais dispararam, as refinarias privadas acompanharam esse movimento. Já a Petrobras manteve reajustes mais moderados, o que ampliou a diferença observada atualmente”, explica.

Posicionamento do setor e órgãos reguladores

O Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis do Estado da Bahia (Sindicom-BA) pontuou que as empresas privadas costumam adotar uma política de formação de preços mais alinhada às cotações internacionais do petróleo e à variação cambial, ao passo que a Petrobras emprega critérios próprios.

Por meio de nota, a Acelen informou que os preços dos produtos da Refinaria de Mataripe seguem critérios de mercado e consideram fatores como o custo internacional do petróleo, a taxa de câmbio e o frete, podendo oscilar para cima ou para baixo. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) destacou que o Brasil adota o regime de liberdade de preços desde janeiro de 2002, cabendo aos agentes do mercado definir seus valores em ambiente de livre concorrência. Por fim, a Petrobras declarou que sua política de preços busca conciliar competitividade e rentabilidade, ressaltando que não comenta os valores praticados por outras empresas.

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