O Censo Demográfico revelou que a capital baiana abriga duas das maiores favelas do Brasil em volume populacional. As comunidades de Beiru/Tancredo Neves e Pernambués figuram com destaque no levantamento nacional divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Panorama nacional das comunidades Com 38.871 habitantes, Beiru/Tancredo Neves detém o posto de favela mais populosa da Bahia, alcançando a 10ª colocação no ranking nacional. Logo atrás, Pernambués contabiliza 35.110 moradores, assegurando a 11ª posição em todo o território brasileiro.
O critério do IBGE Para o instituto, essas localidades são definidas como áreas onde predominam domicílios com insegurança jurídica da posse, além de apresentarem pelo menos um indicativo de precariedade urbana, como carência de serviços públicos, infraestrutura fora dos padrões oficiais ou ocupação irregular.
As maiores concentrações baianas O mapeamento aponta que as cinco principais favelas do estado estão situadas exclusivamente na capital. Completam o topo do ranking estadual as comunidades de Valéria, com 21.635 residentes; Bairro da Paz, somando 20.509 pessoas; e Santa Cruz, que abriga 19.833 habitantes. Fora de Salvador, o destaque é a comunidade Teotônio Vilela, localizada em Ilhéus, com 12.788 moradores.
Distribuição territorial no estado Em âmbito estadual, o levantamento catalogou 572 favelas na Bahia, o que representa 4,6% do total de 12.348 áreas similares mapeadas no país, colocando o estado na oitava posição nacional. Apenas 28 dos 417 municípios baianos possuem registros dessas localidades. Salvador lidera com 262 favelas — quase 45,8% do total baiano — sendo a quinta cidade brasileira com maior quantidade de tais áreas, seguida por Feira de Santana, Camaçari, Lauro de Freitas e Itabuna.
População residente e impacto na capital O estado registrou 1,37 milhão de moradores em favelas, o equivalente a 9,7% da população total, garantindo a quarta maior população residente nesses locais no Brasil. Desse total, Salvador concentra 1.033.258 pessoas, indicador que representa 42,7% dos habitantes do município. Outros municípios com números expressivos de moradores nessas regiões são Ilhéus, Camaçari, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
Perfil demográfico das comunidades O estudo também detalhou as características sociodemográficas desses territórios em comparação ao restante do estado. As mulheres representam 53,4% da população local, índice superior à média geral baiana de 51,7%. Em contrapartida, os idosos com 60 anos ou mais somam 12,7%, proporção menor do que os 15,3% observados no estado. Além disso, 39,2% dos moradores de favelas se autodeclaram pretos, taxa quase duas vezes maior que a verificada na população geral da Bahia.
Desigualdades na infraestrutura urbana As informações estatísticas evidenciam discrepâncias acentuadas no acesso a serviços e equipamentos públicos. Apenas 40,1% dos moradores de favelas baianas vivem em vias com calçadas ou passeios, enquanto fora dessas áreas o patamar alcança 78,8%.
A arborização urbana também é escassa, atingindo 74,5% dos residentes de favelas que habitam ruas sem árvores, frente a 51,8% nas demais regiões urbanas. Por fim, a acessibilidade para pessoas com deficiência física é reduzida: somente 1,5% dos moradores dessas comunidades dispõem de rampas para cadeirantes em suas vias, ao passo que nas outras áreas urbanas o índice chega a 10,9%.









