O avanço da estiagem tem transformado de forma drástica a rotina de quem vive no campo em Feira de Santana. Além de comprometer afazeres essenciais do cotidiano devido à escassez de água, a estiagem prolongada tem provocado prejuízos profundos na agricultura familiar, inviabilizando o sustento de diversas famílias locais.
Lavouras devastadas e impacto na subsistência
Na localidade da Matinha, o impacto do tempo seco é visível nas plantações. A produtora rural Márcia Invenção de Almeida viu sua produção despencar neste ano após investir no cultivo de milho, feijão e mandioca. Do milho semeado, nada pôde ser colhido, e o rendimento do feijão ficou totalmente fora das projeções.
“Eu esperava um cultivo de pelo menos uma saca, mas não consegui, para dizer a verdade, nem dez litros”, contou.
A crise agrícola também ameaça a continuidade de outras atividades econômicas da agricultora, que utiliza a mandioca colhida para produzir e comercializar beijus e tapiocas. Com as plantas severamente castigadas pelo clima adverso, o receio é de que falte matéria-prima para manter as vendas no próximo ciclo.
Dificuldades de abastecimento e falta de amparo
A escassez hídrica também afeta diretamente o consumo doméstico. A fonte natural que existia na propriedade de Márcia secou por completo, tornando a família dependente da rede da Embasa. Como o fornecimento é instável, tornou-se obrigatório manter a água guardada em um reservatório subterrâneo e solicitar ajuda aos vizinhos nos momentos mais críticos, já que a entrega por caminhões-pipa não contempla a região.
“É muito difícil conviver sem água”, disse.
Distritos em estado crítico e entraves financeiros
De acordo com dados do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Feira de Santana (Sintrafs), o quadro é ainda mais alarmante em distritos como Jaguara, Bonfim de Feira, Ipuaçu e Maria Quitéria.
Sem conseguir acesso a programas assistenciais como o Seguro Safra — benefício inviabilizado por critérios técnicos da propriedade —, a agricultora relata que não dispõe de suporte governamental para compensar o déficit das perdas. Diante das dificuldades financeiras causadas pela seca, a renda familiar tem dependido primordialmente da aposentadoria de sua mãe para cobrir as necessidades diárias.









