A ialorixá Mãe Senhora de Ewá, considerada uma das sacerdotisas mais longevas do Brasil, morreu na madrugada deste sábado (17), aos 104 anos, em Salvador. A líder religiosa estava à frente do terreiro Ilê Axé Omi Ewá, localizado no bairro de Praia Grande, no Subúrbio da capital baiana.
Trajetória e formação no Gantois
Batizada civilmente como Elza Bahia de Araújo, ela teve sua trajetória ligada às tradições de matriz africana desde o início da vida. Após o falecimento de sua mãe durante o parto, a menina foi acolhida com apenas um mês de vida no conceituado Terreiro do Gantois. No espaço sagrado, foi criada sob a tutela de Mãe Laura e de Mãe Menininha do Gantois, matriarcas fundamentais em sua formação pessoal e religiosa.
Sua iniciação sacerdotal aconteceu em 1950. Ao longo de mais de sete décadas de dedicação ao candomblé, Mãe Senhora consolidou-se como símbolo de sabedoria ancestral, autoridade e preservação dos saberes de matriz africana. A líder deixa cinco filhos, além de uma extensa linhagem de netos, bisnetos e tataranetos. As causas do falecimento e os detalhes do sepultamento não foram divulgados.
Homenagens e legado
O centenário da sacerdotisa, comemorado em 11 de setembro de 2022, reuniu amigos, familiares e autoridades religiosas. Na celebração, ela recebeu uma placa comemorativa concedida pela Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro, em reconhecimento ao acolhimento e à doçura com que orientava os fiéis.
Reconhecimento oficial
Ainda em 2022, a Câmara Municipal de Salvador aprovou a concessão da Comenda Maria Quitéria para a líder religiosa. A honraria laureia personalidades femininas com contribuições relevantes para o município. A indicação destacou a postura incansável de Mãe Senhora de Ewá na luta contra a intolerância religiosa e seu protagonismo histórico na afirmação e autonomia das mulheres.









